Investimento social privado: o que você precisa saber?

Investimentos sociais privados (ISPs) são repasses voluntários de recursos privados feitos por empresas e/ou seus institutos e fundações para projetos de interesse público. Eles são feitos de forma planejada, monitorada e sistemática e vêm crescendo no Brasil nos últimos anos, pois são práticas que muitas empresas passaram a adotar para atender a dois objetivos: tanto para apoiar iniciativas em causas diversas , como para ampliarem seu valor reputacional com consumidores, colaboradores e demais públicos de interesse. Quer saber mais sobre investimentos sociais privados? Então continue lendo a matéria!

O que você vai encontrar neste artigo: 

1.O que é investimento social privado?

2.Panorama do ISP no Brasil

 2.1 – Fatores de sucesso para realização do ISP

 2.2 – ISP durante a pandemia

3.Vantagens do ISC para as empresas

4.Onde encontrar mais informações sobre ISC?

A foto mostra cinco pessoas em um círculo e todas elas seguram uma mudinha de planta, que está bem ao centro da imagem

Crédito da Imagem: banco de imagens

O que é investimento social privado?

O Investimento Social Corporativo (ISC), ou Investimento Social Privado (ISP), nada mais é do que uma expressão para designar os repasses de recursos realizados, voluntariamente, por uma empresa, ou seu instituto e fundação, em projetos de interesse público, por meio de iniciativas e causas diversas como social, ambiental, cultural e científica. O objetivo do termo é diferenciar tais  ações contínuas e planejadas de ações assistencialistas, prática muito comum entre instituições corporativas até meados dos anos 90. 

Entretanto, a partir do fortalecimento das organizações da sociedade civil (OSCs) e de uma maior interrelação entre os setores da sociedade (público, privado e sociedade civil organizada), a prática da filantropia corporativa mudou, tornando-se mais especializada e sendo encarada como um investimento de fato. 

Normalmente, o gestor social de uma empresa, e/ou instituto e fundação, faz o repasse de recursos de forma planejada, metódica, coordenada e assistida para causas de interesse da sociedade. Assim, a expressão serve para abarcar outro conceito importante na área de ISP, a Responsabilidade Social Empresarial (RSE), que é a relação que essas organizações mantêm com as várias comunidades nas quais elas se inserem (comunidades no entorno da empresa, cadeia produtiva, consumidores e etc). 

Por meio da realização do ISC, as empresas, e/ou seus institutos e fundações, buscam diferenciar a atuação social planejada de ações assistencialistas.

Panorama do ISP no Brasil

De acordo com o editorial publicado por Patrícia Loyola, diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas, foi possível perceber mudanças relevantes no perfil de atuação social das empresas e/ou seus institutos e fundações nos últimos anos. Atualmente, existe uma forte qualificação dos executivos e gestores sociais corporativos, além de uma preocupação crescente com a mensuração de resultados das iniciativas.

Ao longo de 15 anos em que a pesquisa do Benchmarking do Investimento Social Corporativa (BISC) é realizada, foi observada uma oscilação razoável em termos de volume de investimentos. Essa variação está diretamente ligada ao cenário econômico do país e, mesmo em tempos de crise, as empresas demonstraram um esforço na manutenção de suas ações e o volume de recursos ficou acima dos R$ 2 bilhões por ano.  

Fatores de sucesso para realização do ISP

Antes da pandemia, em 2019, o BISC aferiu que o sucesso na condução do investimento social corporativo  está diretamente ligado aos seguintes requisitos:

  • estímulo à participação dos diversos atores envolvidos, 
  • garantia da flexibilidade necessária para acompanhar as mudanças da sociedade e para incorporar novas tecnologias, 
  • adoção de metodologias capazes de gerar resultados objetivos, 
  • alinhamento estratégico aos negócios e 
  • alinhamento a agendas públicas nacionais e internacionais 

No gráfico abaixo, é possível acompanhar a evolução do ISC em termos de volume ao longo dos anos:

A arte mostra um gráfico com a evolução do investimento social corporativo ao longo dos anos

Crédito da imagem: acervo Comunitas

 

ISP durante a pandemia

Ao longo de 2020, as empresas que fazem parte da Rede BISC aportaram recursos na ordem de R$ 5,05 bilhões – aporte esse que praticamente dobrou em relação a 2019 e foi uma exceção em toda a série histórica da pesquisa. Deste montante, 47% foram alocados exclusivamente em ações de enfrentamento à Covid-19 e 16% têm como origem bens e serviços mobilizados para uso social junto às comunidades. Ainda, houve uma ampliação de 95% de investimento destinados à área social, fortalecendo os setores mais impactados pela crise, como saúde, assistência social e segurança alimentar.

Mesmo com o avanço crescente do alinhamento dos investimentos sociais aos negócios, a mobilização que foi observada nas empresas ao longo de 2020, bem como na sociedade como um todo, se relaciona à cultura da doação e do atendimento humanitário. Assim, as empresas se esforçaram para ressignificar ações sociais alinhadas aos seus negócios que pudessem atender as demandas emergenciais, ou mesmo usando os recursos e infraestruturas que usualmente são aplicadas nas práticas de negócio para fins sociais emergenciais.

A vantagem do ISC para as empresas

Como mencionado anteriormente, o aporte de recursos  realizado voluntariamente por empresas e/ou seus institutos e fundações em causas sociais é encarado como um investimento. Sendo assim, também é esperado que haja retornos, mesmo que não sejam exatamente financeiros e, para além do retorno à sociedade, as empresas esperam por resultados nos índices de retenção/atração de talentos e/ou vendas, por exemplo.

Em 2020, o BISC levantou qual era a expectativa das empresas em relação ao retorno do alinhamento dos investimentos sociais aos negócios. Tendo em vista a intensidade do movimento, não surpreende que cresceu a expectativa por retornos operacionais (7 pontos percentuais.), fortalecimento da imagem da empresa (crescimento de 13 p.p., somando expectativas altas e muito altas) e o reconhecimento público (crescimento de 25 p.p, somando expectativas muito altas e altas).

Pode-se constatar, também, que hoje já não se espera tão intensamente, enquanto retorno, por impacto nas vendas (a expectativa baixa cresceu 10 p.p. e nenhuma empresa acusou expectativa muito alta ou alta), mitigação de riscos (uma vez que somando expectativa muito alta e alta, houve uma queda de 28 p.p.) e fidelidade dos consumidores (queda de 9 p.p., somando expectativas muito altas e altas).

Outro ponto a ser levado em consideração por empresas que desejam começar a trabalhar com ISC são as leis de incentivo fiscal, em que o governo abre mão de receber recursos, via pagamento de impostos, para incentivar a execução de ações sociais em benefício da sociedade. O investidor, por sua vez, apoia causas que se alinham com sua proposta de valor e podem potencializar seu impacto na sociedade. Apesar de sua relevância, o montante aportado por meio de incentivos fiscais representa, historicamente, cerca de um quarto dos investimentos da Rede BISC, o que demonstra a disponibilidade das empresas em investir recursos próprios na geração de valor social. 

Onde encontrar mais informações sobre ISC?

Além do BISC, cuja edição 2021 abrangeu um universo de 324 empresas e 17 institutos/fundações empresariais, também é possível encontrar mais informações no site do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), que também publica uma pesquisa sobre investimento social a cada dois anos. A edição mais recente foi publicada no ano passado e pode ser baixada aqui.

Outro site que pode ser interessante para consulta é o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), que atua, principalmente, na disseminação de técnicas e conhecimento sistematizado do ISP.

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