Pesquisa Bisc evidencia pela primeira vez recorte de gênero e raça nos investimentos sociais corporativos

A pandemia tornou grupo de mulheres negras parcela da população ainda mais vulnerável, o que fez com que 46% das empresas da Rede BISC destinasse recursos especificamente para elas 

A edição 2021 do BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), pesquisa realizada anualmente pela Comunitas para orientar as empresas, seus institutos e fundações na gestão do investimento social realizado por elas, identificou um maior enfoque dado às mulheres negras, que foram especificamente destacadas como beneficiárias por 46% da rede de parceiros da pesquisa. 

Esse fato chama a atenção porque, em edições anteriores do BISC,  as mesmas sofriam uma espécie de aglutinação em grupos maiores (“mulheres”, “mulheres e meninas” e/ou “afrodescendentes”, por exemplo), devido ao baixo volume de recursos destinados a essa parcela específica da população. 

Entretanto, um dos efeitos causados pela pandemia foi que, de acordo com estudos publicados pelo LinkedIn, as mulheres foram as principais atingidas pela crise no sentido de desemprego e diminuição de renda. E, dentre elas, as mais prejudicadas foram, principalmente, as mulheres negras residentes nas periferias. 

De acordo com a Rede de Pesquisa Solidária, um grupo interdisciplinar composto por mais de 40 pesquisadores das principais universidades e órgãos de pesquisa do Brasil, as mulheres negras tinham e têm maior chance de morrer em decorrência de Covid em comparação aos outros grupos sociais, determinados a partir do recorte de raça e gênero. Outro fator preocupante que veio com o vírus foi o aumento expressivo dos casos de violência doméstica – percebidos mais fortemente entre as mulheres negras e pobres.

Desigualdade exposta
As desigualdades sociais escancaradas pela pandemia transformaram a maneira estratégica como as empresas passaram a assumir as bandeiras de causas sociais. E com isso, o perfil de atuação do investimento social corporativo (ISC) sofreu mudanças neste período de crise. Grupos da população que passaram a se destacar como beneficiários, novas áreas de atuação prioritárias, ampliação dos repasses às organizações da sociedade civil e crescimento do alinhamento às políticas públicas.


De acordo com Patrícia Loyola, diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas, este fato pode ser atribuído ao aprofundamento de mazelas e desigualdades sistêmicas da sociedade brasileira, intensificado na pandemia, impactando mais diretamente grupos já muito vulneráveis. “Isso demonstra o olhar atento do ISC para o agravamento das desigualdades e uma tentativa, em alguma medida, de corroborar com a mitigação dos impactos negativos, mais sentidos por essas populações mais vulneráveis”, explica. 

As iniciativas foram principalmente na área da saúde, justamente para tentar conter o cenário alarmante no país. Porém, o crescimento das ações específicas identificadas no BISC 2021 apresentou tendências que já vinham sendo desenvolvidas e foram ressignificadas e aceleradas, transformando-se em projetos de larga escala com atuação nacional.

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