Fórum Econômico Mundial traz alertas para os principais riscos globais de 2023

Por meio da 18ª edição do relatório de riscos globais, a organização traz os principais desafios tanto econômicos como socioambientais, com projeções que focam no curto e longo prazos

Fatores sociais como o aumento do custo de vida e o enfraquecimento da coesão social fazem parte da lista de desafios ao bem estar da humanidade apontados pelo Relatório de Riscos Globais 2023, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial. Em sua 18ª edição, o estudo é baseado nos achados da última Pesquisa Global de Percepção de Riscos (GRPS).

De acordo com o documento, desafios adormecidos nas últimas décadas aparecem como grandes problemas do presente. Após um dos períodos mais turbulentos da humanidade, com a pandemia da Covid-19, o momento de retomada econômica parece ter sido adiado pelo início da guerra da Ucrânia. O cenário geopolítico desencadeou uma nova escassez de alimentos e uma crise energética, reacendendo problemas que há muito não apareciam em escala global. Confira a seguir os destaques do relatório:

Elevação do custo de vida e desafios ao crescimento econômico

Os próximos 10 anos podem ser marcados por crises socioambientais, impulsionadas por tendências geopolíticas e econômicas. As crises econômicas surgidas a partir da pandemia e continuadas pela guerra da Ucrânia iniciaram uma era de instabilidade inflacionária e de baixo investimento e crescimento. 

Segundo a pesquisa, os próximos dois anos podem fazer com que governos e bancos centrais enfrentem diversas dificuldades inflacionárias, diante do potencial de prolongamento da guerra na Europa, da continuidade de estrangulamentos derivados da pandemia e de conflitos de ordem econômica. Neste horizonte de curto prazo, o aumento do custo de vida da população consta como um dos riscos sociais mais severos.

Ademais, pensando num horizonte de médio prazo, o cenário de persistência inflacionária pode levar o mundo a um ambiente de estagflação, ou seja, o convívio de altas taxas de inflação com estagnação econômica. Nesse contexto, pode surgir uma crise sem precedentes de altos níveis de endividamento público. Fragmentação econômica global, tensões geopolíticas e dificuldades em reestruturações de dívidas podem contribuir para um sobreendividamento generalizado nos próximos 10 anos.

Crises de desabastecimento 

O agravamento das crises está ampliando seu impacto em todo o mundo, afetando os meios de subsistência de um grupo muito mais amplo da população e desestabilizando economias tradicionalmente mais resilientes. Há riscos graves esperados para impactar já o ano de 2023, incluindo crise de oferta de energia, aumento da inflação e crise de abastecimento de alimentos. Uma crise global de custo de vida já é sentida. 

Por ora, alguns países vêm conseguindo evitar impactos econômicos mais severos, diante da situação de solvência, mas muitos países de baixa renda estão enfrentando várias crises: dívida, mudanças climáticas e segurança alimentar. As pressões contínuas do lado da oferta correm o risco de transformar o atual custo de vida em uma crise humanitária mais ampla dentro dos próximos dois anos em muitos mercados dependentes de importações.

Confira como os riscos estão interconectados:

Tecnologia e desigualdade

O desenvolvimento de novas tecnologias é uma das principais estratégias para o fortalecimento industrial de diversos países (a chamada Revolução Industrial 4.0). A área de tecnologia tem contado com investimentos estaduais, privados e militares, que estimulam, cada vez mais, pesquisas nas áreas de  inteligência artificial (IA), computação quântica e biotecnologia, por exemplo. E esse cenário tende a continuar na próxima década.  

Os países que podem realizar investimentos maciços no setor, terão condições de enfrentar os próximos desafios com mais facilidade, a exemplo de novas crises de saúde, segurança alimentar e mitigação climática. Porém, os países mais pobres enfrentarão o aumento da desigualdade em um cenário mundial já bastante competitivo.  

Enfraquecimento da coesão social e polarização política

Com a chegada de uma era de crise econômica, as consequências para governos, empresas e sociedade serão inevitáveis. As camadas mais vulneráveis sentirão as consequências mais duras desse cenário, que virão com o aumento da pobreza, fome, violência, instabilidade política e até o colapso do Estado. Neste cenário, também haverá corrosão das rendas das famílias de classe média. O efeito das pressões econômicas, assim, estimulará o descontentamento e a polarização política e o enfraquecimento da coesão social.

Governos enfrentarão uma difícil escolha: promover políticas de seguridade social, que protegerão as camadas mais vulneráveis da população de uma prolongada crise de custo de vida, ou cumprir a dívida. A era econômica resultante pode ser de crescente divergência entre países ricos e pobres e o primeiro retrocesso no desenvolvimento humano em décadas.

Crise climática

A crise climática, que tem se tornado o principal foco das percepções de riscos globais da próxima década, é um dos maiores desafios da humanidade. Ainda assim, tal desafio parece estar longe de uma solução. A dificuldade de se fazer avanços significativos nas metas climáticas expôs a divergência entre o que é cientificamente necessário e o que é politicamente viável para atingir o net zero.

Com possibilidade de investimento reduzido devido a outras crises, os setores público e privado reduzirão a velocidade e a escala dos esforços na mitigação climática nos próximos dois anos. Com avanços insuficientes nessa direção, os países serão cada vez mais impactados pelas mudanças climáticas, que, entre outros efeitos negativos, já vêm sendo driver para migrações involuntárias de populações. 

Volatilidade e crises múltiplas

 Choques simultâneos, riscos profundamente interconectados e erosão da resiliência estão dando origem ao risco de “poli-crises” – nos quais crises díspares interagem e nos quais o impacto geral excede em muito a soma de cada papel. 

A erosão da cooperação geopolítica terá ondas de efeitos em todo o cenário de riscos globais ao longo do médio prazo, inclusive contribuindo para uma potencial “poli-crise” de interesses ambientais, geopolíticos inter-relacionados e riscos socioeconômicos relacionados ao fornecimento e demanda por recursos naturais.

Quer ficar por dentro de todas as novidades do universo do investimento social corporativo? Então não deixe de assinar a nossa Newsletter para ficar por dentro de tudo em primeira mão!

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação / 5. Número de votos:

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Lamentamos que este post não tenha sido útil para você!

Vamos melhorar este post!

Diga-nos, como podemos melhorar este post?

Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Newsletter

Insira seu e-mail e receba conteúdo sobre o campo do investimento social corporativo!

Nossas redes

_

A COMUNITAS

A Comunitas é uma organização da sociedade civil especializada em modelar e implementar parcerias sustentáveis entre os setores público e privado, gerando maior impacto do investimento social, com foco na melhoria dos serviços públicos e, consequentemente, da vida da população.

Exceto onde indicado de outra forma, todos os conteúdos disponibilizados neste website estão licenciados com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional

Copyright 2024. All Rights Reserved.

Desenvolvido por MySystem