Comunitas lança pesquisa BISC 2016

 

A pesquisa de Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC), lançada nesta quinta-feira (01), pela Comunitas revela que os investimentos sociais permaneceram no mesmo patamar dos anos anteriores, na margem de 2,6 bilhões, contrariando a queda esperada para o período.

Quando comparado com o padrão internacional, medido pelo CECP, o país está um pouco à frente, com 0,89% dos lucros brutos investidos, contra 0,84% nos Estados Unidos. “É uma boa notícia, sobretudo por conta do cenário político e econômico que o Brasil vem atravessando”, pontuou a coordenadora da pesquisa, Anna Peliano. Um reflexo dessa crise econômica, porém, foi refletida na participação dos incentivos fiscais, que registou uma queda de 32% em relação aos valores aplicados no ano anterior.

De modo geral, uma minoria das empresas (36%) conseguiu aumentar seus investimentos. Apesar disso, a mediana dos investimentos no lucro líquido passou de 2,18%, para 3,09%.

Outra boa notícia é que mais de 60% das empresas e institutos têm alinhado seus investimentos aos negócios. Boa parte desses recursos, 48%, é destinada às áreas de Educação e Cultura, com projetos voltados para jovens, crianças e comunidades de entorno.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

O BISC, realizado anualmente pela Comunitas, tem como tema este ano os ODS – que foram aprovados pela Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável em 2015 e propõem uma agenda global com medidas transformadoras e sustentáveis que combatam as mudanças climáticas, erradiquem a pobreza, promovam a prosperidade e o bem-estar de todos até 2030.

Com esse tema, o intuito do BISC é entender como as empresas estão integrando seus investimentos sociais à agenda global.  De acordo com os resultados, um terço das empresas já está trabalhando nessa direção e 43% têm interesse em incorporá-los futuramente. “As empresas são motivadas a isso por reconhecerem os impactos que os ODS podem gerar no planeta e devido à importância atribuída pela sociedade. Ou seja, o setor privado se envolverá mais à medida que a sociedade estiver mobilizada e pressionar pela adesão à agenda”, frisou Anna.

Sobre a contribuição dos investimentos sociais para os ODS, os negócios identificaram que podem auxiliar especificamente em educação de qualidade (39%), saúde de qualidade (16%) e empregos dignos e crescimento econômico (14%). E para engajar fornecedores às causas sociais, 74% dos respondentes afirmaram promover atividades que podem ser utilizados para mobilizá-los em prol do alcance dos ODS, por meio de promoção de debates, materiais informativos e monitoramento das atividades desenvolvidas, dentre outros.

Já os principais desafios apontados pelo grupo para integrar os negócios à agenda ODS são: engajar as diversas unidades da empresa; garantir recursos financeiros para investir em novos projetos alinhados aos ODS e alcançar a escala necessária; definir indicadores e produzir as informações indispensáveis à avaliação dos resultados. E dentre os benefícios gerados com a adoção a essa agenda são: alinhamento da atuação social com a agenda pública e com o planejamento global para o desenvolvimento; melhorias das condições sociais; identificação de novas oportunidades de negócios sociais; visibilidade dos compromissos da empresa com a sustentabilidade; e fortalecimento das relações com as organizações da sociedade civil.

“Com os resultados da pesquisa, percebemos que as empresas estão buscando se informar e se articular para aderir a essa agenda global. E esse é um dos papeis da Comunitas. Esperamos contribuir com esses dados, principalmente com o aprimoramento dos investimentos sociais”, concluiu a pesquisadora.

Universo pesquisado

Em 2015, a pesquisa abrangeu 325 organizações, assim distribuídas:

  • 13 conglomerados que respondem por um total de 292 empresas;
  • 7 empresas que respondem individualmente;
  • 23 fundações vinculadas a instituições empresariais;
  • 1 instituto independente;
  • 1 federação de empresas do setor industrial;
  • 1 instituição de direito privado sem fins lucrativos.

Roda de debates

Logo após a apresentação da pesquisadora, com os principais dados do BISC 2016, foi realizado um debate entre Ieva Lazareviciute, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Aron Belink, do Programa Desempenho e Transparência do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVCes), Sérgio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, Beatriz Martins Carneiro, secretária-executiva da Rede Brasil do Pacto Global e Luan Santos, assessor técnico do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). A roda de conversa foi mediada pelo jornalista e diretor Brasil da GlobeScan, Álvaro Almeida.

O grupo acredita que a Agenda 2030 propõe uma reconexão entre os diversos atores: governos, setor corporativo, institutos, academia e sociedade civil.  “O setor privado tem um papel relevante nesse processo”, frisou Beatriz.  Sérgio chamou a atenção para o fato das empresas estarem focadas numa política estruturante, que dialogue com as políticas públicas. “Precisamos avaliar a qualidade desse alinhamento dos investimentos aos ODS”, opinou.  “Temos que reforçar a narrativa de que há uma relação entre todos”, complementou Aron.

Nesse sentido, a responsabilidade governamental na adoção a essa agenda também é relevante na opinião dos debatedores. “Temos uma agenda de bens públicos e o governo também tem um papel essencial nisso. Existe a necessidade de criarmos mecanismos estruturantes que possam qualificar a implementação da agenda ODS”, comentou Sérgio. “A inovação é a chave da mudança”, observou Ieva.

Na visão dos grupo, a agenda ODS ainda está sendo discutida só nas grandes empresas. “Se olharmos para pequenos empreendimentos, o cenário é outro. O nosso desafio é como engajar não só grandes empresas, mas fazer com que elas se tornem instrumentos para que possamos alcançar toda uma cadeia de fornecimento”, opinou Luan.

Sobre a mitigação de impactos negativos do negócio no meio ambiente e na sociedade, o grupo acredita que as áreas econômico-financeira da empresa precisarão passar por uma reestruturação para que os aspectos econômicos, sociais e ambientais possam, de fato, se interligarem. “Não temos mais como pensar em ações como filantropia”, comentou Luan. E, na visão de Aron, para conquistar avanços nessa integração, buscar o apoio em institutos de sustentabilidade é um caminho.

Confira a versão completa da pesquisa clicando aqui.

Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Newsletter

Insira seu e-mail e receba conteúdo sobre o campo do investimento social corporativo!

Nossas redes

_

A COMUNITAS

A Comunitas é uma organização da sociedade civil especializada em modelar e implementar parcerias sustentáveis entre os setores público e privado, gerando maior impacto do investimento social, com foco na melhoria dos serviços públicos e, consequentemente, da vida da população.

Exceto onde indicado de outra forma, todos os conteúdos disponibilizados neste website estão licenciados com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional

Copyright 2022. All Rights Reserved.

Desenvolvido por MySystem